4º Domingo do Advento – Ano A: O nascimento de Jesus foi desta maneira

Frei Raniero Cantamessa, OFM Cap.

esperançaHá algo que une as três leituras deste domingo: em cada uma se fala de um nascimento: “Eis que uma virgem conceberá e dará a luz a um filho, e lhe porá o nome de Emanuel, Deus-conosco” (1ª leitura); “Jesus Cristo… nascido da estirpe de Davi, segundo a carne” (2ª leitura); “O nascimento de Jesus foi desta maneira…” (Evangelho). Poderíamos chama-lo de “domingo dos nascimentos!”

É inevitável colocar imediatamente a questão: por que nascem tão poucas crianças nos países ocidentais? O principal motivador da escassez de nascimentos não é de tipo econômico. Pois, se fosse, os nascimentos deviam aumentar nas classes mais elevadas da sociedade, ou deveria aumentar os nascimentos a medida que se vai do Sul ao Norte do mundo, todavia sabemos que ocorre exatamente o contrário.

O motivo é mais profundo: é a falta de esperança, que implica em: confiança no futuro, impulso vital, criatividade, poesia e alegrai de viver. Se se casar é sempre um ato de fé, trazer um filho ao mundo é sempre um ato de esperança. Nada se faz no mundo sem esperança. Necessitamos da esperança como do ar para respirar. Quando uma pessoa está prestes a desmaiar, grita-se a quem está em volta: “ela precisa de ar”. O mesmo se, deveria fazer com quem está a ponto de desistir, de se render diante da vida: “Dê-lhe um motivo de esperança!”. Quando em uma situação humana renasce a esperança, tudo parece diferente, ainda que, de fato, nada tenha mudado. A esperança é uma força primordial. Literalmente faz milagres.

O evangelho tem algo essencial para oferecer as pessoas, neste momento da história: a Esperança com letra maiúscula, virtude teologal, ou seja, que tem por autor e garantia o próprio Deus. As esperanças terrenas (casa, trabalho, saúde, o êxito dos filhos…), ainda que se realizem inexoravelmente perdem o sentido se não existe algo mais profundo que as sustentem e as elevem. Olhemos o que acontece com a teia de aranha; é uma obra de arte, perfeita em sua simetria, elasticidade, funcionalidade, está presa em todos os pontos por fios que saem dela horizontalmente. Sustenta-se no centro por um fio que vem de cima, o fio que a aranha teceu quando estava descendo. Se alguém desprende um dos filamentos laterais, a aranha sai, concerta-o rapidamente e volta ao seu lugar. Mas se o fio do alto é rompido, tudo desmorona. A aranha sabe que não existe nada a fazer e se distancia. A Esperança teologal é o fio do alto em nossa vida o que sustenta toda a trama de nossas esperanças.

Neste momento em que sentimos de maneira tão forte a necessidade de esperança, a festa do Natal pode representar a ocasião para mudar de direção. Recordemos o que Jesus disse um dia: “Quem recebe uma criança em meu nome recebe a mim”. Isto vale para quem acolhe um menino pobre e abandonado, para quem adota ou alimenta uma criança; mas, vale, sobretudo, para os pais cristãos que, amando-se, com fé esperança, abrem-se a uma nova vida. Muitos casais que, receberam a notícia da gravidez, viram-se por um momento cheios de confusão, estou certo de que sentirão que podem fazer próprias as palavras da profecia natalina de Isaías: “Ficai felizes, a grande alegria se fez, porque nasceu-nos hoje um menino, e um filho nos foi dado”.

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