1º Domingo do Advento – Ano A: Vigiai! Vigiai!

Fr. Ranieiro Cantalamessa, OFM Cap.

Teenage Girl Praying in a MeadowComeçamos neste domingo o primeiro ano do ciclo litúrgico que é chamado de Ano A. E nele acompanhamos o Evangelho de Mateus. Algumas características desse Evangelho são: a amplitude com a que se refere aos ensinamentos de Jesus (os famosos sermões, como o da montanha), a atenção à relação lei-Evangelho (o Evangelho é a “nova lei”). Considera-se esse Evangelho mais eclesiástico devido ao relato do primado de Pedro e pelo uso do conceito de “Ecclesia”, Igreja, que não é encontrado nos outros três Evangelhos.

A palavra que se destaca sobre todas, no Evangelho deste primeiro domingo do Advento é: “Vigiai, pois, não sabeis que dia virá vosso Senhor… Ficais preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem”. Pergunta-se, às vezes, por que Deus nos esconde algo tão importante como é a hora da sua vinda, porque para cada um de nós, considerado singularmente, coincide com a hora da morte. A resposta tradicional é: “Para que estejamos alerta, sabendo cada um que isso pode acontecer em qualquer dia” (Santo Efrém, o Sírio). Mas, o motivo principal é que Deus nos conhece; sabia que terrível angustia haveria sido para nós conhecermos com antecedência e hora exata e assistir a sua lenta e inexorável aproximação. É o que mais atemoriza em certas enfermidades. São mais numerosos hoje os que morrem de repente do coração do que os que morrem de “penosas enfermidades”. Visto que dão mais medo essas últimas

A incerteza da hora não deve levar-nos a viver despreocupados, sim como pessoas vigilantes. O ano litúrgico está apenas no começo, ao contrário do ano civil que está chegando ao fim. Uma ocasião ótima para fazer eco a uma reflexão sábia sobre o sentido da nossa existência.

Um antigo filósofo expressou essa experiência fundamental com uma frase que, de fato, é célebre: “panta rei”, ou seja, tudo passa. Acontece na vida como na televisão: os programas mudam rapidamente e cada um anula o precedente. A televisão segue sendo a mesma, porém mudam as imagens. Assim, também é conosco: o mundo permanece, contudo nós nos vamos um atrás do outro. De todos os nomes, os rotos, as notícias que leem nos jornais e nos telejornais do dia – de mim de ti, do todos nós –  o que permanecerá daqui alguns anos ou décadas? Nada de nada. O homem não é mais que “uma marca criada pela onda do mar na areia que a outra onda faz desaparecer”.

Vejamos o que tem a dizer a fé sobre este dado que, de fato, tudo passa. “O mundo passa, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece para sempre” (IJo 2,17). De tal forma que existe alguém que não passa, Deus, e existe um modo de que nós não passemos de vez: fazer a vontade de Deus, ou seja, crer, aderir a Deus. Nesta vida somos como pessoas em uma balsa que o rio leva em descida a mar aberto, sem retorno. Em certo momento, a balsa passa perto da costa. O náufrago diz: “É agora ou nunca!”, e salta em terra firme. Que suspiro de alívio quando sente a terra embaixo de seus pés! É a sensação que experimenta frequentemente quem chega à fé. Poderíamos recordar, como conclusão desta reflexão, as palavras que Santa Tereza de Ávila deixou como uma espécie de testamento espiritual: “Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Só Deus basta”.

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